segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Raios de Luz

Para ti, a vida é demasiado simples e complexa. Simplificas o mínimo e confuso detalhe dessa rede baralhada chamada existência.
Em surdina, condenas-me pela impercepção do teu básico, cortas as amarras da nossa verdade absoluta, ou quem sabe, inexistente.
Sabes como te sinto? Uma tese de mestrado existencial, móvel. Um apanhado do melhor e do pior de todos os anos da minha vida, das minhas leituras, do meu sublime e espontâneo estudo. Chumbei nos primeiros meses, quase até ao final do primeiro semestre daquilo que somos, andei perdida, afogada no lago de uma pesquisa aprofundada de uma cadeira que descobri não ser minha. Ou então… era minha, mas ainda não era nossa.
Vou esquadrinhando quem és, buscando algo incessantemente, não sei bem o quê, apenas aquele algo que tu tens e eu gosto. És como uma música em crescendo, ensurdecedora, que entra e vai roendo um cantinho até que se instala e passa a fazer parte de nós mesmos. Contas uma verdade perdida nos ecos do tempo. Como eu mesma, tens sempre uma resposta pra tudo. Ás vezes zangas-te comigo por isso.
Raios te partam, ás vezes magoas.
Achas que ás incapaz de pensar primeiro em fazes alguém feliz, com algo tão subtil como um elogio ao cabelo, ao olhar, ao brilhozinho dos olhos. És demasiado egocêntrico para entender este método simplex desta coisa chamada amor. Sim, sim… essa treta em que passamos a crer quando alguém para nós se torna o próprio ar que respiramos.
Crês na verdade absoluta até mesmo quando a corrupção salta á vista de todos. És surreal, ás vezes.
Houve uma época em que cometi o crasso erro de te mentir. E tu não foste capaz de compreender que, naqueles momentos, eu menti para nos salvar de um mal maior, para nos proteger das tempestades. Interpretei de forma errada a salvação de um sentimento apátrida.
Passo os dias a tentar compreender-te. Sentir-te. Ler-te, investigar o que te vai na mente. Nos momentos de trabalho, de mimo. Nas horas avassaladoras em que me comes. Sim, leste bem. Eu sei que não gostas, mas olha, paciência – não á palavra mais perfeita.
Tento sempre ser uma pessoa bonita, uma senhora, nossa senhora, minha, tua e de toda a gente, mas esta é uma imagem dura de manter. Nessas alturas, quando me comes, sou simplesmente a imagem mais pura de mim mesma. Devoras-me a carne e eu sinto-me devorada na alma. Um animal nos seus derradeiros momentos de vida, tentando sugar um raio de ternura do seu carrasco que o vá impedir de morrer. Mata-me. Eu entrego-me como uma virgem em sacrifício ao seu deus. Oh, que deliciosa ironia! Mas esse deus, que talvez nem exista, é volátil e quase nunca permissivo, mas voluntarioso e com laivos de misericórdia.
Disseste-me algumas vezes que sou boa na cama. Hum… acho-te graça e sinto-me sexy. Sinto este tremor que percorre o meu corpo e me faz transpirar. Sou apenas e nada mais que uma gota de suor, a difusa quantificação do meu desejo. Tenho esta vontade terrífica de ser pioneira dos teus olhos, da tua ternura. A cada passo esbarramos nos momentos perfeitos, aqueles em que esta coisa lamechas chamada romance aparece e eu acho que esse algo é único e inovador, e no final das contas tu dizes que o meu algo especial já aconteceu contigo e com uma das galdérias do teu passado. Entediante, na verdade. Rouba a vontade de experimentar surpreender-te.
Aqui á tempos, mostraste-me a tua surpresa por já não teres mulher nenhuma além de mim, e isso apanhou-me desprevenida. Disseste mesmo qual o amontoado de tempo. 5 Meses. Mas, isso de contar o tempo não era coisa de gaja?! Pronto, desculpa, pensei que fosse.
A esta altura do campeonato tens estampado na cara aquele teu sorriso que diz «cabra», como quem goza. Aquele sorriso que me faz querer ser devorada.
É engraçado (funny, isn’t it?), no seu melhor estilo de humor british, recheado a humor negro, como passar quem tu és para o papel me faz estar sentada numa mesa de um café atolado de gente (mas com pouquíssimas pessoas, na verdadeira afinição da palavra) prestes a ter um orgasmo.
Mas a vida é assim, e tu és assim, mesmo quando me dás seca, que é o caso, eu venho-me enquanto espero, porque na minha cabeça as tuas mãos tocam-me como só tu sabes tocar. Tocas-me como se fosses uma gaja.

Mas ei… sossega… eu só grito quando estou contigo.

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