
Vou caminhando ao longo dos trilhos ventosos de um túnel de maresia onde me deixaste...
Sento-me perdida nestas rochas que me rodeiam e tu, vens e estendes-me a mão, proteges-me do frio, guardas-me no bolso desse teu amor, meio louco meio banal, impedes-me de escorregar nos limos que já estão agarrados aos meus pés...
Saimos depois de acordar e corremos a um banco de misérias, abandonar ao tempo que é cada vez mais curto, o material da nossa obrigação. Pit - Stop naquele café da curiosidade aguçada, onde o tabaco se vende ao balcão e as moedas de introduzem numa máquina de sorrisos... A tristeza vai chegando... nem sei bem porque, sequer... mas os metros vão trincando vorazes a alegria, vão metendo a mão na minha alma, ladrões de esperanças. Fico triste pelo que não poderemos partilhar, pelo que o futuro não tras no presente. E tu, num rasgo público e único de carinho, levantas-me, abraças-me e rodopias-me na rua, e fazes de mim a mulher mais feliz do mundo, deixas-me com as emoções á flor da pele...
O trabalho chama o corpo esgotado do esforço que não fez por não mais poder, e eu sigo, nesta maresia, em direcção aos limos. E então baixa a noite em cima de nós, de mim e de ti que cantas longe para um outro desconhecido, e chegas e eu amo-te e quero-te, e neste milagre, tu queres-me e desejas-me e...
é Natal. Dizes:
«Gosto de ti...Gosto de tudo em ti» e eu adormeço, em paz... amanhã, quem sabe.
Esta noite... num Nirvana pessoal, foste meu.
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