Sinto as nuances de mais um dia a clarear o meu rosto.
Sempre detestei ter de acordar cedo, sabes? Claro que sabes… Ainda por cima, pra completar o bolo, é Inverno, caramba, mais uns dias apenas e é natal. Este ano voou através de mim…
Neste café onde me sento, tentando pensar, as pessoas que me rodeiam desenrolam novelos intermináveis de banalidades e burocracias, e as pessoas que trabalham vão desfiando a meada do tempo, esperando que ele corra. Sei que é verdade porque eu mesma o faço, dia após dia, atrás daquele fastidioso balcão. Não escolhemos o que fazemos e amamos apenas o que escolhemos…
Hoje tu não estás. A tua agenda demasiado atolada de estudante universitário fez com que, por uma vez, te levantasses de manhã cedo. Tens de trabalhar, dizes-me tu. Eu acredito com uma ponta de descrédito, porque sei que são subterfúgios que nos roubam tempo, que nos roubam vontades e formas de estarmos em comunhão connosco.
Se assim não fosse, a noite passada teríamos aproveitado o correr fugidio das horas, e não teríamos estado abandonados a uma solidão provocada. Do meu cansaço, tirei as horas de sono essenciais e fui encontrar-te numa névoa fumarenta. Arrastei-te o carinho e o frio para a casa gélida onde de seguida entramos, ansiando pelo calor que os meus braços te queriam oferecer, mas na chegada, tu fechaste a tua concha e deixaste-me ao relento.
Quando a noite cair hoje, eu vou estar no quotidiano de sempre, encarcerada atrás do balcão das migalhas, enquanto tu te divertes sei lá eu com quem. Já te disse, porque perguntas de novo, eu confio desconfiada, com medo do que um copo a mais poderá trazer para a minha paz. Quem somos nós afinal?
O incenso vai queimando lentamente e eu vou observando devagar, sentindo o seu cheiro azul no ar…
Os beijos que eu preciso acabaram, o stock do carinho esgotou e eu não posso pedir mais. Arruínas tudo o que sou com o teu mimo fugaz, como se o desses por obrigação em tempo marcado – arranjas pra mim uma hora na agenda por favor? – E eu não consigo conciliar os horários e agendar uma reunião…
Sinto-me banalizar tudo o que te dou, porque já não sei o que inventar pra te fazer feliz. Oferece-me um dia de abraços, enrola-me em ti, e esquece os colares de contas, as jóias compradas com a ternura de um Multibanco.
Volto as costas á tristeza e revivo momentos em que me arrastaste pela casa, me comeste freneticamente, num desejo inalcançável, prendo-me a passeios casuais sob luzes natalícias e aprendo de novo a gostar do natal porque já uma vez me ensinaste a faze-lo…
O vento sopra de novo lá fora. A mim, já nada me importa, a não ser a minha alma, o meu carma destroçado por vivências jamais vividas. O cansaço acumula-se em mim uma vez mais e o corpo rosna os sorrisos que não poderá mostrar. Bebo a força de um dia num copo de sumo de laranja e abandono a escrita, porque pra hoje, a cabeça perde-se em devaneios e já não dá mais. A areia da ampulheta esvaiu-se quando ela caiu ao chão e de partiu nos ínfimos pedaços daquelas lágrimas que eu já não choro. Não te rias, já te disse que não sou poeta. Sou aprendiz do coração dos outros.
Sempre detestei ter de acordar cedo, sabes? Claro que sabes… Ainda por cima, pra completar o bolo, é Inverno, caramba, mais uns dias apenas e é natal. Este ano voou através de mim…
Neste café onde me sento, tentando pensar, as pessoas que me rodeiam desenrolam novelos intermináveis de banalidades e burocracias, e as pessoas que trabalham vão desfiando a meada do tempo, esperando que ele corra. Sei que é verdade porque eu mesma o faço, dia após dia, atrás daquele fastidioso balcão. Não escolhemos o que fazemos e amamos apenas o que escolhemos…
Hoje tu não estás. A tua agenda demasiado atolada de estudante universitário fez com que, por uma vez, te levantasses de manhã cedo. Tens de trabalhar, dizes-me tu. Eu acredito com uma ponta de descrédito, porque sei que são subterfúgios que nos roubam tempo, que nos roubam vontades e formas de estarmos em comunhão connosco.
Se assim não fosse, a noite passada teríamos aproveitado o correr fugidio das horas, e não teríamos estado abandonados a uma solidão provocada. Do meu cansaço, tirei as horas de sono essenciais e fui encontrar-te numa névoa fumarenta. Arrastei-te o carinho e o frio para a casa gélida onde de seguida entramos, ansiando pelo calor que os meus braços te queriam oferecer, mas na chegada, tu fechaste a tua concha e deixaste-me ao relento.
Quando a noite cair hoje, eu vou estar no quotidiano de sempre, encarcerada atrás do balcão das migalhas, enquanto tu te divertes sei lá eu com quem. Já te disse, porque perguntas de novo, eu confio desconfiada, com medo do que um copo a mais poderá trazer para a minha paz. Quem somos nós afinal?
O incenso vai queimando lentamente e eu vou observando devagar, sentindo o seu cheiro azul no ar…
Os beijos que eu preciso acabaram, o stock do carinho esgotou e eu não posso pedir mais. Arruínas tudo o que sou com o teu mimo fugaz, como se o desses por obrigação em tempo marcado – arranjas pra mim uma hora na agenda por favor? – E eu não consigo conciliar os horários e agendar uma reunião…
Sinto-me banalizar tudo o que te dou, porque já não sei o que inventar pra te fazer feliz. Oferece-me um dia de abraços, enrola-me em ti, e esquece os colares de contas, as jóias compradas com a ternura de um Multibanco.
Volto as costas á tristeza e revivo momentos em que me arrastaste pela casa, me comeste freneticamente, num desejo inalcançável, prendo-me a passeios casuais sob luzes natalícias e aprendo de novo a gostar do natal porque já uma vez me ensinaste a faze-lo…
O vento sopra de novo lá fora. A mim, já nada me importa, a não ser a minha alma, o meu carma destroçado por vivências jamais vividas. O cansaço acumula-se em mim uma vez mais e o corpo rosna os sorrisos que não poderá mostrar. Bebo a força de um dia num copo de sumo de laranja e abandono a escrita, porque pra hoje, a cabeça perde-se em devaneios e já não dá mais. A areia da ampulheta esvaiu-se quando ela caiu ao chão e de partiu nos ínfimos pedaços daquelas lágrimas que eu já não choro. Não te rias, já te disse que não sou poeta. Sou aprendiz do coração dos outros.
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