«Olho-te, de relance.
Não reparo e sigo.
Levo o pensamento turvo, mil ideias me assaltam.
Quanta azafama por vencer, quanto dia ainda para correr!
Horas, minutos, segundos... correm indefinidos.
Não pára o mundo! Não se compadece do meu labor;
Corre célere, do amanhecer ao sol-pôr.
De novo te cruzas em meu caminho. É quase noite, agora reparo.
Abrando... paro.
Nesta rua, sozinhos, olhas-me. Não há vivalma.
E se há, já não os vimos, quedamos mudos.
O mundo desapareceu. Nada mais existe.
Só tu. Só eu.
Nada dizes...Nada falo.
Muda contemplação, parecias uma visão. Senti um baque, aumentou a pulsação.
Reacendeu-se a paixão.
Apesar de tudo, compreendo-te.
Esses olhos de gata.
São tão diferentes os nossos destinos! Vejo-te como se infância fosse:
Brincamos, como brincam os namorados, ainda meninos.
Dezenas de beijos trocados, furtados(com permissão).
Eu era teu, tu eras minha...
Amante, Amor, Rainha.
O destino assim quis: que nos cruzássemos nesta esquina.
Sem falar, apenas nos olhamos. Com os olhos marejados, tocas-me com um dedo.
No rosto, limpas o caminho molhado.
Da gota escorrida, dos olhos apagados, aos quais deste vida.
Desejei-te como nunca, um amor, uma esperança perdida!
Com um sorriso nos lábios, de mansinho, foste.
Desenlaçaste nossos dedos e eu fiquei, a mão no ar...
Ali permaneci, por largos momentos, saboreando nostálgico, doces pensamentos!
Espero que sejas feliz.
Sei, agora, ainda me amas.
Seremos para sempre enamorados.
O destino assim o quis.
Eu...Tentarei ser feliz.»
Por Rui Miguel
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
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