domingo, 12 de outubro de 2008

Um quarto vazio

Demasiado doloroso.
Acordas ás seis da manhã porque o corpo já nao aguenta mais cama, não há descanso, porque não descansas nada, mas cama, porque estiveste deitado tantas horas a olhar pro vazio.
Sentes a desilusão na voz de quem mais amas e trancas as lágrimas para a menina pequena não ouvir, não ver, não sentir, mas sobretudo, não fazer perguntas ás quais não sabes responder.
Dói te a alma, tens o espirito marcado pelas traças da vida, e não contas a ninguém, mas o corpo está doente.
Muito doente, doente que amedontra e sentes e causa dores e faz te desejar poder chorar e abraçar quem amas.
Deixas de ter coragem de falar, porque ja contaste, contaste uma vez e ninguém te ouviu.

E ficas sozinha, noite após noite, olhar pro vazio, encolhida e com muito muito medo. Não dizes nada.
Já não suportas desiludir mais.

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