Um dia, abri a porta e ouvi as vozes.
Entrei, obcecada pelo som, procurando incessantemente a origem daquele som... Abri uma porta atrás da outra, correndo, buscando o que eu sabia não existir mais.
Naquela casa, tudo tinha o cheiro dos momentos bons. Era como se os momentos em que choramos, em que gritamos, em que nos magoamos, tivessem sido levados pelo vento. Quase como se um passe de mágica os tivesse feito desaparecer... Ainda hoje, a muitos quilómetros de distância, ouço a tua voz.Como quando o mundo era diferente e tu ainda te importavas. A tua voz que me aconselha como fazias antes do tempo do gelo.
As neblinas levaram as maldades mas não arrastaram as mágoas, as dores, o sofrimento. Deixaram pra trás as saudades, as parcas vontades, aqueles momentos em que me ajoelho em suplica aos pés de um ideal. os sonhos nao voltam. ficam os murmurios... a Terra chama, clama a minha angústia. Nestas águas negras, encontrarás quem fui.
sábado, 20 de setembro de 2008
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