É intolerável, este desassossego inquestionável de uma vivência sem ti...
As horas espraiam-se por mundos nunca trilhados, e as noites iluminam-se em insónias intermináveis. O futuro clama numa vontade gritante, o teu odor caracteristico e os segundos românticos e cheios daquele teor carnal que se encontrava em nós no passado...
Já não sinto a tua falta. Desespero com ela. As tuas lágrimas enchem o copo que olho e vejo meio vazio, enquanto tu o vês meio cheio, cheio da paz que não tinhamos.
Olho pra ti e vejo o teu crescendo, ensurdecedor e maravilhoso, que me fazia sorrir e chorar á mesma velocidade incontornável.
Senti o teu olhar como uma pauta, a que fui tentando lentamente acrescentar notas de uma nova sinfonia, apenas conseguindo o sucesso post-mortem dos consagrados conpositores da Vida.
Precisei morrer por dentro. Agora, já num plano existencial alternativo, descubro á velocidade da areia a escorrer na ampulheta do destino, que morrer não leva as mágoas, e que viver deixa sempre as preocupações terrenas.
A confusão vai alastrando nesta mente, podre das metas inalcançadas, escorrendo a tristeza que apenas a felicidade poderá levar.
Não durmo, não dormes, falamos em linhas de telefones que não querem gritar as nossas vozes, nem transportar as dores que desejam enterrar junto com o Tempo, passado em vão em gritarias jamais esquecidas...
Perco-me na escita deste livro. Estás a ouvir-me? Não vou desistir. Amo-te.
E, nos livros, o amor vence sempre.
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